Primeiro Amor, Novela, conto de Ivan Turgueniev

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“O que experimentava era tão novo e tão doce… Sentado, quase sem olhar à minha volta e sem me mover, respirava lentamente, e só de quando em quando; ora ria em silêncio, ao recordar, ora gelava por dentro ante a ideia de que estava apaixonado, que ali estava ele, afinal, que aquilo era o amor.”

 

Segunda visita de uma obra desse ilustríssimo autor aqui no meu blog e no meu canal!

Fiquei tão encantada que quis fazer um vídeo pra vocês e compartilhar minhas anotações da história.

Acho que ler essa trama teve o impacto de um “primeiro amor” (Pervaia Liubov).

Espero que aproveitem o vídeo!

Três homens se encontram ao final de uma grande festa na casa de um deles. O anfitrião sugere que cada um conte a história de seu primeiro amor.

Aquele que parece ter algo de especial a dizer sobre o assunto, afirma que só revelará essas circunstâncias especiais em um relato por escrito que ele entregará aos amigos 2 semanas depois.

O texto escrito num caderno contava então o seguinte:

Moscou 1833. O jovem Vladimir mora com os pais. A família aluga uma datcha que é o nome russo para uma casa de campo para veraneio em Kaluga, em frente a um jardim especialmente bonito.

O jovem estudava sem pressa de entrar na universidade e de começar a vida. Aproveitava sua liberdade, a indiferença da mãe e o pouco caso do pai por ele.

Passeava pelo jardim, lia poesia, sonhava, flertava exclusivamente com o momento presente. Tinha se livrado do seu preceptor de francês havia pouco tempo.

Conta-nos sobre o casamento dos pais por pura conveniência. O pai era jovem e a mãe era mais velha e muito rica. O pai era severo e a mãe tinha medo dele.

O jovem carregava um livro, o curso de Kaidanov, sobre diplomacia russa. Mas o livro era como um enfeite; Raramente era aberto. O jovem se deixava inebriar pelo jardim, pelo clima, pela novidade do local.

“de maneira doce e ridícula: eu esperava tudo, temia não sabia o quê, me admirava com tudo e estava pronto para qualquer coisa; a fantasia brincava e rodopiava depressa”.

“brotava, como a grama da primavera, o sentimento alegre da vida jovem e em ebulição”.

Uma princesa pobre se hospedou na casa velha ao lado da casa alugada pelo jovem. A mãe dele não deixou de olhar para o pai e aprovar com satisfação que a princesa era pobre.

“A poucos passos de mim, numa clareira, entre arbustos verdes de framboesas, estava uma menina alta e formosa, num vestido de listras cor-de-rosa e com um lencinho branco na cabeça;”

 

Vladimir era chamado de Valdemar pela princesinha que ocupava a casa ao lado. Ela e sua mãe eram de uma nobreza empobrecida, fato que era bastante comum segundo a fala de alguns personagens da história. A princesa mãe enviara um bilhete à mãe de Vladimir se convidando para almoçar.

A mãe mandou Vladimir à casa das princesas confirmar o convite e aí Zinaida e Vladimir se conheceram.

Zinaida tinha 21 anos, Vladimir 16.

Zinaida e o pai de Vladimir trocaram olhares demorados. Mas Zinaida era uma safadinha que reunia em volta dela uma série de homens mais ou menos fracassados, mais ou menos em posição de lhe oferecer algum futuro mas que Zinaida mantinha como pajens sem se decidir por nenhum deles.

Vladimir também nos fala sobre sua relação com o pai, da admiração que tinha por ele e como ao mesmo tempo ele se sentia rechaçado, afastado pelo pai, que não era rude expressamente mas sabia bem como fazer com que Vladimir se sentisse empurrado pra longe!

“Apanhe o que puder, mas não se deixe apanhar; você pertence a si mesmo —esse é todo o segredo da vida”, disse-me ele certa vez. “-  uma das frases que Vladimir se lembra de ter ouvido do pai.

“A vontade, a vontade própria, e o poder que ela dá, que é melhor que a liberdade. Saiba querer que você será livre e vai comandar.”/ O pai de Vladimir lhe explica o que é liberdade.

Sobre como Vladimir se apaixonou como um homem que vai pela primeira vez ao trabalho e se deu conta de que não era mais um menino!

Como Vladimir via a princesinha!

“Em Zinaida inteira, tão bela e cheia de vida, havia uma espécie de mistura fascinante de astúcia e descuido, artifício e simplicidade, serenidade e ímpeto; em tudo que ela fazia, falava, em cada um de seus gestos, havia um encanto sutil, leve, em tudo se manifestava uma força peculiar e brilhante. Seu rosto se modificava o tempo todo, também brincava: quase ao mesmo tempo, exprimia malícia, meditação e paixão.”

Mais uma vez sobre os sentimentos de Vladimir por Zinaida!

“eu ficava sentado, olhava, ouvia e me enchia com uma espécie de sentimento sem nome, no qual havia de tudo: tristeza, alegria, presságio, desejo e medo da vida. Mas na época eu não entendia nada disso e não conseguiria definir tudo o que se movia dentro de mim, ou definiria tudo com um só nome —o nome de Zinaida.”

“Não amar é impossível” —repetiu Zinaida. —É isso que a poesia tem de belo: nos fala daquilo que não existe e não só acaba sendo melhor do que aquilo que existe como também se parece até mais com a verdade… Não amar é impossível… E mesmo se quisesse, seria impossível!”

Que sujeito genial esse Turgueniev como consegue descrever tão bem os sentimentos. Como ele consegue transformar um caso isolado em alguma coisa tão universal que toca a todos que leem certas passagens da história.

“Sentia uma inquietação estranha: como se eu tivesse ido para um encontro, acabasse ficando sozinho e apenas houvesse passado perto da felicidade de outra pessoa”.

“Aquilo que eu acabara de saber estava acima de minhas forças: aquela revelação repentina me esmagava… Tudo estava acabado. Todas as minhas flores foram arrancadas de uma só vez e jaziam à minha volta, espalhadas e pisoteadas.”

“Aí está, isso é o amor”, eu disse de novo para mim mesmo, sentado à noite diante de minha escrivaninha, sobre a qual já começavam a aparecer cadernos e livros… “Isso é a paixão!… Como não se rebelar, como suportar um golpe de qualquer mão que seja!… Mesmo da mão mais querida! Mas parece que é possível, quando se ama… E eu… eu que imaginava…”

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