O Gato preto, conto para uma sexta-feira 13

Gatos pretos serão bruxas disfarçadas?
Por que tanto mistério em volta deles?
Neste conto de 1843 do escritor americano Edgar Allan Poe, o narrador nos conta uma experiência sobrenatural envolvendo seu animal de estimação, o gato de negríssimo e reluzente pelo, Plutão.
O narrador cujo nome não sabemos nos confessa a doença que começou a consumi-lo: o alcoolismo. Com o passar do tempo, passou a beber mais, se tornou violento, agredia a mulher e seus animais domésticos que não eram poucos e por quem sempre tinha nutrido muita estima.

O GATO PRETO! SEXTA-FEIRA 13

O único ainda intocado por seus acessos de raiva tinha sido Plutão.
Até a fatídica noite em que alcoolizado, ele chegou em casa,  tentou segurar à força o gato e quando este o mordeu, avançou sobre o felino com um canivete e arrancou um de seus olhos.
O gato se recuperou fisicamente. Só restava o aspecto horrendo da órbita vazia e o pavor que sentia quando o dono se aproximava.
Depois do olho, vieram mais atos de perversidade contra Plutão (lembremos que na mitologia é o nome romano para o deus dos infernos) que culminaram no estrangulamento do animal no galho de uma árvore.
Após o crime, certa manhã a casa foi consumida em chamas e com dificuldade escaparam o narrador sua mulher e uma criada. Mas do incêndio restou uma parede de pé. Gravada na parede como um nítido desenho estava a figura de um gato enforcado, com a corda em volta do pescoço.
O fantasma do gato continuava assombrando o dono que o enforcara, pela lembrança, pelo remorso. Procurou sem sucesso outro gato que pudesse substituí-lo. Num dos “antros infames” que frequentava, De repente surpreendeu-se com um objeto preto em cima de um barril de aguardente ou rum.
Era um gato preto com uma grande mancha branca no peito. Apesar de rosnar e se mostrar bastante arisco, o gato ficou satisfeito com as atenções do narrador. Foi levado para casa e rapidamente substituiu o lugar físico e subjetivo antes ocupado por Plutão.
Na manhã seguinte, o narrador notou que ao novo gato também faltava um olho, aos poucos passou a nutrir por ele sentimentos de raiva e remorso, sobretudo quando descobriu que a esposa nutria um enorme carinho pelo animal.
Mas quanto mais o narrador evitava o gato, este o seguia, o estimava e buscava chamar sua atenção.
Neste momento do conto, somos informados de que o narrador se encontra numa cela de cadeia. E se envergonha ao admitir que não chegara a agredir ainda o animal pelo medo que este lhe inspirava. Sua imaginação, insuflada pelos vapores do álcool, interpretava a mancha branca no peito do novo gato, como o contorno de uma forca.

A partir daí começa a narrativa de miséria e crime que leva o narrador a seu destino carcerário.
Tentou matar o gato com um machado e quando a mulher o impediu, voltou o machado contra ela e a matou com um golpe no peito. Sem qualquer remorso, confessou ter Decidido emparedar seu cadáver no subterrâneo do prédio em que viviam.
O gato desapareceu após o crime. Nos dias subsequentes, os policiais fizeram perguntas buscas, interrogaram, vasculham e desceram até o porão do prédio. O narrador, certo da impossibilidade de ser descoberto, chegou até mesmo a bater na parede onde havia escondido o cadáver da esposa e mal acabou de se ouvir o ruído seco da pancada, de dentro da parede ecoou um grito como que saído da boca do demônio, um grito terrível, um misto de angústia e riso. Os policiais começaram a derrubar a parede até que encontraram o cadáver ali sepultado. Mas surpreendam-se vocês! Sabem o que foi encontrado sobre a cabeça do corpo da mulher? O gato, com seu único olho, brilhando e gritando, denunciando o crime do dono.

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