Doutor Jivago, Boris Pasternak

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Eis a playlist com os vídeos que eu fiz, para o Aline & Os Livros, comentando o livro maravilhoso de Pasternak “Doutor Jivago”.

 

 

Doutor Jivago, de Boris Pasternak, foi escrito entre 1945 e 1955.
A primeira edição desse livro não foi em russo mas em italiano e foi lançada em 1957. O texto em russo, foi publicado em 1958, numa edição pirata na Holanda mas não era o texto original, mas uma versão editada que decepcionou Pasternak.
Era impossível publicar um romance desse teor na União soviética e Pasternak vivia numa posição delicada na sua relação com a polícia política e era mais conhecido como um grande poeta.
A versão original completa só foi publicada em 1978, na Rússia, 18 anos após a Morte de Pasternak que faleceu em 1960 por conta de um câncer no pulmão.
O autor nasceu numa família judaica de origem ucraniana. Seu pai era pintor e ilustrador dos livros de Tolstói e sua mãe era pianista.

Nos primeiros capítulos, vamos conhecer muitos personagens. Pasternak está confiante apresenta uma diversidade de óticas de vidas, de percepções do mundo. Como se estivesse certo que não largaríamos um livro de 500 páginas logo no início como se a história que ele fosse contar fosse imperdível.
Iúri Jivago enterra a mãe morta por tuberculose. Ele tem 10 anos e está acompanhado de seu tio, Nicolau Nicolaievitch, um ex-padre que tem ideias bastante avançadas sobre a política, a vida e sobre a revolução. Ele acredita que a revolução não é algo que sairá de comitês e associações, o revolucionário não é um homem com instinto gregario, mas um solitário que busca a verdade. O pai de Iúri era um aristocrata da família Jivago que “torrara” toda sua fortuna com mulheres e bebida e acabara abandonando a esposa e o filho. A família Jivago era muito rica e poderosa no passado, tudo na região pertencia a eles. Agora só lhes restava o nome e, a Iuri restava esse tio, irmão de sua mãe.
Nicolau vai com o sobrinho para Duplianka, levando uma cópia do livro de um amigo Ivan Ivanovitch para que este a revise. A censura da época não aprovava o pensamento sobre as questões agrárias e a autonomia dada aos mujiques. Seria preciso fazer muitas mudanças para que fosse publicado. Estamos no verão de 1903 e a guerra contra o Japão continua.

Essa apresentação traz um clima frio, neve, assepsia, luto mas esperança. O tio é um homem que não deixa Iuri esmorecer. Em seguida outros personagens vão se aproximando. Conhecemos Nadia e Nika, adolescentes de 14 e 16 anos que convivem numa mesma propriedade em Duplianka, que é úmida e tropical como o jardim da casa de Ivan ivanovitch Voskoboinikov. Eles desfrutam da vida e do ambiente e também enfrentam as ambiguidades dos hormônios da adolescência.

Nika odiava e desejava Nadia. Pensava em afogá-la e sonhava em cair de novo no lago com ela.

A mãe de Nika era uma princesa deslumbrada por revolucionários e ideias supostamente libertárias e o pai era Dudórov um revolucionário preso e condenado a trabalhos forçados na Sibéria.
Nika aparece como um personagem revoltado que espera fugir da propriedade em que vive e ir à Sibéria, se juntar ao pai e à sua causa revolucionária.

O ex-padre observa uma pequena parada quando olha para a direção da estação de trem, a via que leva a Moscou. A parada é estranha e nossa atenção é chamada para a entrada de outros personagens.

Num desses vagões numa cabine de segunda classe viaja Micha Gordon acompanhado por seu pai: um advogado que está se mudando com a família para Moscou.
Micha é judeu e essa característica que ele sentia como uma consequência inelutável, e hereditária o incomodava. Não sabia como lidar com ela. Como podia ser igual a qualquer menino russo mas ao mesmo tempo ser diferente, carregar algo que o marcava como distinto no meio de um grupo de iguais? O pai pouco o ajudava com suas questões.

Essa parte tem uma atmosfera escura, firme, rígida, barulhenta, e sentimos a poeira de estações e plataformas. E a ocorrência do suicidio de um passageiro aumenta o desânimo dos passageiros com uma viagem que sem acidentes já é longa e cansativa demais: são 3 dias no trem até Moscou!

O livro é muito sensorial. A sensação de estar vivendo em meio aos personagens se torna muito mais forte pela descrição dos ambientes e dos ruídos dos lugares e das pessoas.
Num bairro pobre e sujo vive a família de Madame Guichard, uma francesa que adotara a Rússia como sua casa. Era viúva e tinha 2 filhos. Ródia, prestes a entrar na escola de cadetes, e Lara; uma bela moça de 16 anos, cortejada pelo affaire de sua mãe viúva, o personagem Komaróvski que também é advogado da família e era amigo do falecido pai.

Os 3 vivem num apartamento num hotel antigo e sujo com ratos e baratas.
A mãe empobreceu depois da morte do marido e com o pouco dinheiro que conseguiu pelas ações que se desvalorizaram na época, comprou um ateliê de costura.
Pasternak nos faz ouvir os pensamentos e os sentimentos de Lara e Ródion sobre a vida e sobre o lugar deles no mundo. Eles não se enquadram nem dentre as crianças pobres nem dentre as ricas porque perderam a riqueza material. Mas guardaram um orgulho bom e um desejo de trabalho e de esforço porque sabiam que precisariam do estudo e do empenho para conseguirem algo na vida.
A parte com Lara e o advogado Komarovski é quente, densa, áspera, suja. ruas de um bairro muito pobre em Moscou. E no princípio só sabemos da ambiguidade de seus sentimentos frente às investidas de Komaróvski.

Linha ferroviária Moscou-Kazan está em greve e a linha Moscou Bretsk deve se juntar a ela. Há um Conflito no ar entre chefes e os funcionários no dia em que estão fazendo os pagamentos.
Estão organizados sob a liderança de Tiviérzin. Outro personagem muito importante da nossa história. Varias organizações revolucionárias participam do manifesto de 17 de outubro. A multidão que escutava os discursos é dispersada com violência pelas tropas a cavalo. Correiadas e golpes tiram a vida de alguns e ferem outros tantos o suficiente para deixar a neve branca toda manchada de sangue.
Depois do ocorrido vamos reencontrar nosso primeiros personagens Iuri Jivago e seu tio Nikolai nicolaievtchi.
Iuri passou a morar com a família do professor Gromeko e se tornou amigo de Micha Gordon e da filha do professor Tônia Gromeko.
Formavam um trio conhecido por seu excesso de castidade por um êxtase excessivo com a pureza e com o afastamento da vulgaridade como eles chamavam tudo que estava ligado aos instintos.
O ex-padre recebe a visita de um discípulo de Tolstói, que nessa época já tinha falecido. Vivolotchnov lhe pedira para fazer um discurso numa escola pedindo pelos deportados políticos. Embora já o tivesse feito, acaba aceitando.
Há um debate entre ambos sobre misticismo e as necessidades do povo. Nele o ex padre, ex. Revolucionário expressa suas ideias :

Com o excesso de castidade se misturam e se opõem os dilemas de Lara. Ela chega em casa à noite desconfortável no seu vestido lilás quase branco. Não é mais pura. Deixou que acontecesse, agora se sentia uma “depravada , uma mulher de romance francês”.
O caso com Komaróvski e a culpa é o desejo que sentia. Tudo isso a aproximou de uma espécie de religiosidade. Quando se sentia perdida, ela entoavam cânticos religiosos e passou a frequentar a igreja com sua amiga Ólia.
A Moscou das greves acaba se tornando uma encruzilhada que reunirá uma geração de personagens que crescerá com o nosso romance.
Lara, Iuri, Nika, Micha são alguns deles mas há outros jovens que começam a ter o seu contorno definido pelas circunstâncias políticas da vida na cidade.
Época das jornadas em présnia. Eventos revolucionarios organizados em dezembro de 1905, no distrito de Moscou de nome Présnia.

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