Bartleby, o escriturário /Bartleby o escrevente

Esta é uma novela incrível, do grande escritor Herman Melville. Escrita em 1853, depois da grande fama de “Moby Dick”, publicado em 1851, Melville pretendia começar a enviar narrativas que fossem publicáveis em jornais, já que sua fama se estancara com o lançamento da Odisseia de um homem contra uma baleia cachalote.

Aqui Melville se dedica a uma verdadeira etnografia dos escriturários ou copistas de uma empresa de advocacia, que é propriedade do narrador da história. Bartleby era um funcionário que apareceu de repente em resposta a um anúncio já antigo que o advogado colocara num jornal solicitando um novo empregado.

O narrador se assume e se descreve como um “advogado de pouca ambição, que na suave tranquilidade de um retiro sossegado, realiza um trabalho sossegado com títulos, hipotecas e escrituras de homens ricos” (Melville, 1853, “Bartleby, o escriturário, extraído da versão eletrônica da obra para Kindle).

Já para Bartleby, a descrição é bem diferente “Sua expressão era tranquila; seus olhos cinzentos, calmos e opacos. (…) palidamente limpo, tristemente respeitável, incuravelmente pobre” (Melville, 1853, “Bartleby, o escriturário, extraído da versão eletrônica da obra para Kindle).

Bartleby começa a trabalhar na empresa mas rapidamente começa a causar problemas com sua “educada arrogância”, “sua incrível delicadeza” ao dizer que preferia simplesmente não fazer determinada tarefa determinada pelo patrão.

“Prefiro não fazer”era o lema de Bartleby.

Recusando-se a obedecer às ordens do chefe, o funcionário excêntrico se tornava um autômato resistente, dedicado a longas tarefas, a processos que levavam horas, mas era incapaz de atender a pedidos simples como conferir documentos ou ir ao Correio.

Assim, Bartleby foi se tornando um ornamento. Decidiu não mais fazer cópias. Plantava-se atrás do biombo onde o patrão instalara sua escrivaninha, e contemplava a parede de concreto através da janela.

“(…) ele parecia sozinho, absolutamente sozinho no universo. Um náufrago no meio do Atlântico”.

 

O comportamento do escriturário impenetrável que não cedia em suas preferências, acabou por perturbar a psicologia do escritório como um todo, a começar pelos dois outros principais funcionários do narrador.

Ao tentar compreender Bartleby, o narrador mostra o que sabe dos outros, dos demais funcionários da repartição, e quanto mais ele julga ter experiência sobre os tipos de homem, de personalidades mas ele vai se convencendo de que nunca viu nada como Bartleby.

O Narrador se cansa de tentar entender tanta resistência e manda o funcionário relutante embora, mas qual não é a sua surpresa quando este responde que também prefere não ir, que prefere ficar.

As semanas transcorrem, os suores e as apreensões do advogado vão crescendo. Seus funcionários exigem dele um atitude mais firme, que compete com a caridade e pena que Bartleby lhe inspira.

Mas como teme perder o respeito dos empregados, ele decide transferir seu escritório para outro endereço, deixando Bartleby ali, sozinho, com suas preferências inamovíveis.

Mas o problema não termina com a mudança de endereço, e o narrador ainda vai enfrentar outros percalços para se livrar de todo de Bartleby e vale a pena saber quais são eles e saber também qual destino aguarda o escrevente Bartleby.

No entanto, tempos depois, o narrador descobre que o excêntrico copista tinha sido na verdade, no início de sua carreira, funcionário público da seção de  Cartas Extraviadas, em Washington. O boato, embora nunca confirmado, parecia ao narrador, ter tudo a ver com Bartleby, um homem extraviado, que incinerava cartas e cheques e outros documentos que nunca chegaram a seu destino…

Confira mais sobre a história da novela e de seu autor no meu vídeo aqui embaixo:

“Ele era mais um homem de preferências do que de conclusões”

(Melville, 1853, “Bartleby, o escriturário, extraído da versão eletrônica da obra para Kindle).

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