A primeira esposa: NADJEDA MANDELSTAM

Hoje é dia de conhecer a história da Nadejda Mandelstam (1899-1980), esposa e companheira do poeta e literato Ossip Mandelstam (1891-1938).

Nadejda significa esperança em russo.

Ela nasceu em Saratov, uma cidade portuária e multicultural ao sul da Rússia.

Sua família era judia mas ela pouco aprendeu sobre a cultura e as tradições judaicas, pois seu avô paterno já tinha sido obrigado a se converter à religião ortodoxa russa durante o governo de Nicolau I (1825-1855). Era a filha mais nova em uma sequência de 5 irmãos que foram educados e também mimados por governantas inglesas

Com o rompimento com a religião judaica abriu-se para o pai de Nadejda o mundo da universidade e da advocacia.

Ele era matemático e tinha uma

Memória excelente herdada por Nadejda. essa habilidade lhe permitiu passar no exame da ordem dos advogados sem que tivesse cursado direito. e ele conseguiu fazer fortuna com seu primeiro caso na justiça.

A mãe de Nadejda vinha de uma família judia que não abdicara das suas origens. Era uma ativista radical, apoiou o golpe de 1917, mas depois se arrependeu tendo se decepcionado com o governo bolchevique. ela se formou em medicina e fez parte do grupo de mulheres que desde a década de 1860 lutava pela educação e formação profissional das mulheres na Rússia.

O irmão mais velho de Nadejda, Aleksander, se alistou no exército branco na luta contra os bolcheviques mas desapareceu durante a guerra civil e não se soube do seu destino.

Antes da revolução de 1917, a família de Nadejda viajava muito para a Europa. Desde cedo ela falava alemão e inglês.Viveram na Suíça 2 anos e em 1910, voltaram à Rússia e passaram a viver em Kiev, onde Nadejda ia à igreja ortodoxa com sua babá russa. destacou-se no ginásio seguindo programa estabelecido para meninos e ingressou na Universidade de Kiev para cursar direito por estímulo de seu pai. Foi colega e mais tarde amiga íntima da poetisa Anna Akhmatova. Nadejda abandonou o curso depois do início da guerra civil. sua família empobreceu muito com o confisco dos bens de seus pais e ela meio que caiu no mundo. os pais eram liberais, mais a mãe do que o pai.

Foi pintora de cenários para o teatro e sobre esses anos ela comenta: “Naqueles dias, eu circulava como parte de uma pequena horda de pintores… Nós nos mantínhamos ocupados com a criação de ornamentos para palco ou a pintura de cartazes, e a vida nos parecia uma frenética rotina de prazer.” (p. 138, extraída certamente das memórias de Nadejda) ele e seu grupo de amigos frequentavam um café chamado Khlam, Lixo, no porão do famoso Hotel continental e foi lá que ela conheceu Mandelstam. em 1913, ele já tinha publicado seu primeiro livro de poemas que fez um grande sucesso e o colocou como expoente de uma nova corrente literária a cultural que foi chamada de acmeísmo (a ânsia pela cultura do mundo, assim Mandelstam o definiu).

Nadejda e Ossip se conheceram e se entenderam de forma rápida e natural. No início tinham muitos conflitos porque ossip era muito tirânico na sua vida privada.

durante uma das muitas alternâncias de poder entre bolcheviques e mencheviques, Eles se separaram mas voltaram a se reencontrar em 1921 e ficaram juntos até 1938 quando Ossip foi levado pela polícia. Nadejda acreditava que tinha sido o destino e não o amor o que os uniu.

eles viveram no Cáucaso de cidade em cidade, trocando trabalhos de tradução por comida. Casarma-se oficialmente em 1922, ele com 32 anos e ela com 22, para poderem compartilhar uma cabine no trem.Viveram em Moscou num albergue para escritores pobres e Mandelstam s’tinha trabalhos esporádicos. Ossip proibia a mulher de trabalhar e ela passava a maior parte do dia tomando as notas que ele ditava.

“Naquela época, ele me tratava como se eu fosse peça de um espólio que ele aprisionou e trouxe à força para seu covil. todos os seus esforços tinham por objetivo me isolar das outras pessoas, fazendo de mim sua propriedade exclusiva, amestrando-me e me adaptando a ele.~(p. 143)

“De mim, ele queria apenas uma coisa, que eu abrisse mão de minha vida, renunciasse à minha personalidade e me transformasse num pedaço dele… Ele me falava que eu não apenas lhe pertencia, como também fazia parte de seu ser…”

em 1924, Mandelstam escreveu o rumor do tempo terceiro livro e aquele que lhe deu fama internacional mais tarde. essa obra foi bem recebida pela censura soviética e foi sua primeira obra em prosa.

depois da morte de Lênin, o casal foi para leningrado, foi quando Nadejda contraiu tuberculose e passou meses em 2 sanatórios, em TSARKOE SELO E EM Ialta. Foi a partir desse momento que a relação entre os 2 mudou e Mandelstam deixou de vê-la como um prêmio, um objeto, uma empregada.

Depois de seu retorno, ela e o marido continuaram a viver na pobreza, principalmente porque Mandelstam se recusava a adaptar sua arte às exigências do partido soviético.

“Por outro lado, os autores subservientes às regras do partido e ao estado eram brindados com ampla publicação e recebiam generoso pagamento. Seus trabalhos literários, entretanto, não sobreviveram ao fim da era soviética.”(p. 150)

O casal Mandelstam foi privilegiado por algum tempo graças a uma amizade que fez dentro do alto escalão do partido: Nikolái Bukharin que era economista e estudioso do bolchevismo. Mas como acontecia com frequência quando Bukhanin perdeu sua influência, mas ainda conseguiu enviar  Mandelstam a viagens pelo cáucaso e para a armênia e também conseguiu para o poeta um salário, “devido aos serviços prestados à literatura russa e à sua impossibilidade de encontrar emprego como escritor de literatura soviética”(p. 152)

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