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Nosso Dossiê Romanov

2 de Janeiro de 2018

Vamos então ao processo de descoberta dos corpos que só se tornou possível pelo encontro de dois homens incríveis. O geólogo Aleksander Avdonin e Geli Ryabov, que nasceu e viveu no Ural, que escutou muito do folclore em torno da família romanov. Ele que visitou a casa de Ipatiev antes da sua demolição por ordem do governo já que a área estava ameaçando se tornar um local de peregrinação, todos que gostavam dos Romanov queriam ir até lá. E o cineasta Geli Ryabov que estava produzindo um filme sobre a polícia civil soviética ou milícia ( que tratava de crimes não políticos diferentemente da KGB).
Em 1976, 50 anos depois, Ryabov visitou a casa de Ipatiev, convenceu os guardas a deixá-lo descer ao porão e depois ele afirma que:

Sabem que eu me sinto um pouco assim com relação aos Romanov? Inexplicavelmente eu sinto uma tremenda vontade de saber o que aconteceu, de refazer a história para libertar a memória e a história desse mistério tortuoso.
Mas como esses 2 caras se encontraram?
Visitando o local e perguntando aqui e ali, Ryabov que era um homem famoso em Moscou, chegou a Avdonin, por indicação do chefe da MVD, e unindo o conhecimento do geólogo e sua própria paixão e o passaporte que ele tinha no poder.

Avdonin disse que estava incrédulo quanto à probabilidade de encontrar algo na região sobretudo porque a casa tinha acabado de ser demolida.
Avdonin tinha medo de se envolver nas investigações e se complicar com a KGB, ele tinha mulher e 2 filhos. Como Ryabov trabalhava para o ministro do interior, Sholokhov, disse que sempre daria cobertura a Avdonin. E aí tudo fluiu que foi uma beleza!
Ryabov e Avdonin tiveram acesso a arquivos secretos com livros e material proibidos e um deles era o livro de Nicolai Sokolov publicado em Paris em 1924:

Avdonin e Ryabov também leram o livro de Pavel Bykov encomendado por Stálin e que era em sua boa parte uma cópia do inquérito de Sokolov. Ele assumia que todos os romanov haviam sido assassinados junto com Nicolau II e querendo desconversar tergiversando sobre o destino dos corpos acabou dando uma pista que ainda não fora seguida.
Sua narrativa induziu os investigadores a acreditarem que os corpos teriam sido levados dali, da área dos 4 irmãos para um outro lugar.
Mas onde?
O livro de Sokolov também continha fotos é uma delas mostrava uma ponte que dava para uma estrada de Koptyaki, próxima à uma ferrovia.
Um dos operadores da ferrovia disse que homens em um caminhão pediram ajuda para desatolar o veículo, 2 dias após as execuções. Com a ajuda Refizeram a ponte e o caminhão seguiu de volta pra Ekaterinburg.
Mas eles viram nesse relato uma inconsistência! Porque se passaram 4 horas desde o momento em que o caminhão teve a ajuda dos funcionários da ferrovia e a chegada na garagem da casa de Ipatiev.
E a viagem de um lugar a outro era de mais ou menos 30 minutos. Por que tanta demora? Por que o caminhão estava ali por tanto tempo?
Engraçado que mesmo sem ter entendido a informação escondida ali, o texto de Sokolov transmitiu isso que foi lido e interpretada por Avdonin e Ryabov, 50 anos depois.
Avdonin decidiu ir até essa ponte e foi acompanhado por Michael Kachurov um outro geólogo seu amigo.
Não havia mais nada ali, 60 anos depois. Eles estavam em 1978 e tudo tinha se passado em 1918.
Subindo numa árvore Kachurov avistou do alto uma estrada uma área mais baixa perto do campo de porosyonk (dos porcos).
Desenvolveram um instrumento com um cano de aço afiado para colher amostras que parecia um “grande saca-rolhas” e eles caminharam pela estrada perfurando o solo com o cano de aço até que identificaram algo mole como madeira. E souberam que ali era o local.
Enquanto isso em Moscou Ryabov fazia a maior descoberta de todas. Ele conseguiu localizar o filho de Yakov Yurovsky, o chefe dos assassinos.

O filho de yurovsky entregou ao cineasta uma cópia do relatório de seu pai que tinha ido para os arquivos secretos do governo. Movido pelo arrependimento pela terrível participação de seu pai naquela tragédia da história da Rússia da vida de seu pai.
O relatório é difícil de ler. Massie colocou alguns trechos aqui mas a leitura é nauseante. A descrição do relatório é precisa, detalhado e horrenda.
E o que ela informa é que os corpos tinham sido colocados nos poços perto da área dos 4 irmãos mas como o exército branco se aproximava de Ekaterinburg e os homens de Ermakov estavam espalhando histórias pela região sobre os corpos da família, yurovsky decidiu pedir ajuda de outros homens para retirar os corpos dos poços e enterrá-los na floresta. Acharam um local e levaram os corpos. Queimaram os corpos de Aleksei e da dama de companhia de Aleksandra achando que era o corpo da imperatriz. Para os outros fizeram uma grande cova de 2m de profundidade ensoparam os corpos com gasolina e mais ácido sulfúrico para que não pudessem mais ser identificados. Cobriram tudo com madeira e folhagem. Foi essa madeira que Avdonin e Kachurov os geólogos acharam com seu instrumento afiado de aço.
Yurovsky matou mas teve um trabalho do cão para se livrar dos corpos para desfigura-los. Tudo parecia dar errado. Caminhão atolado, ponte destruída. Ele levou cerca de 12 horas para se livrar da família. E detalhou tudo no seu relatório, colocando inclusive as coordenadas do local onde estavam os corpos.

Contudo apesar da descoberta, precisaram esperar até a primavera de 1979, o ano seguinte para começar as buscas propriamente.
Avdonin teve muito receio de ter problemas e temos pela segurança da esposa e dos amigos. Tanto que Kachurov nunca veio a conhecer Ryabov. Avdonin só revelou o nome dos colaboradores no dia da operação em que o local seria escavado. Tamanho era o clima de medo, de desconfiança de pavor de ser descoberto e cair nas garras da KGB.

Ok. 3 crânios descobertos e agora?
O que fazer com eles?
Este é o tema do nosso próximo vídeo!

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